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:: Dia do Enfermeiro 12/05 ::


No Brasil, 98 profissionais da saúde já morreram por Covid-19, mais do que nos EUA; em SC, 826 estão afastados e um morreu.

Neste dia 12 de maio se comemora, mundialmente, o Dia da Enfermagem e do Enfermeiro. A data foi escolhida em homenagem à Florence Nightingale, nascida em 12 de maio de 1820 e considerada a “mãe” da enfermagem moderna. No Brasil, a data também lembra Ana Néri, primeira enfermeira brasileira a se alistar voluntariamente em combates militares.

Dia do enfermeiro é comemorado nesta terça, 12 de maio – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em tempos de pandemia, esses profissionais, que sempre estiveram na tal
“linha de frente” dos atendimentos de saúde, finalmente parecem ter sua
importância reconhecida. Afinal, são eles que se arriscam diariamente à
contaminação por uma doença ainda sem cura ou vacina, para salvar o outro.

Trabalhando há cinco anos na UTI de um hospital referência em tratamentos
de doenças infectocontagiosas em Florianópolis, a enfermeira Maria*, de 28
anos, conta um pouco de sua rotina. Embora a situação de atendimento
hospitalar ainda esteja tranquila e com leitos vagos neste momento, ela diz
que trabalha com medo e receio da contaminação.

“A gente toma todos os cuidados, não temos falta de equipamentos de
proteção, mas os primeiros dias de preparo para atendimentos de Covid-19 foram bem estressantes”, diz. “Tivemos que repensar a estrutura do hospital, com foco na proteção da equipe e nos cuidados que esse paciente exige. Foi preciso mudar os fluxos de recebimento dos pacientes e de alimentação, estabelecer os canais de circulação e até mesmo o fluxo de óbitos”, afirma.

Cuidados pessoais

Para se proteger, há um cuidado minucioso de paramentação e desparamentação, que é o ato de vestir e despir as roupas e equipamentos de
proteção. “Esse momento é delicado e mais demorado porque é aí que pode se
dar a contaminação. Às vezes, há um atendimento de urgência e precisamos
fazer todo esse processo antes de ir ver o paciente, mesmo sabendo que
qualquer demora pode ser fatal”.

Outra alteração se deu na hora de sair do trabalho. “Agora tomamos banho no
hospital antes de voltar para casa, trocamos de roupa e ao chegar tem que
tirar os sapatos. Tudo é feito com mais critério e a preocupação aumenta
quando tratamos de casos confirmados de Covid-19”, explica Maria.

Ela também sabe que se houver uma grande demanda de uma só vez, os cinco
leitos e cinco respiradores a mais que a unidade recebeu serão insuficientes. “Tenho colegas que vieram outros estados onde a situação é crítica. Eles contam que não conseguem salvar as pessoas por falta de aparelhos ou leitos, o que é muito desgastante”, conta.

“Também me deixa aflita pensar que além do risco de contaminação, pode
chegar a hora em que não teremos funcionários para substituir os afastados, o que deixaria os doentes sem os cuidados que necessitam”. Maria conta que vários de seus colegas se contaminaram, mas felizmente conseguiram se
recuperar. “Como vários trabalham em diferentes hospitais, não dá para
dizer onde foram infectados”.

A enfermeira acrescenta que já atendeu vários pacientes em estado crítico
da doença, de todas as idades, mas na maioria abaixo dos 40 anos. “O maior
problema é a pouca quantidade de testes e cerca de 30% a 40% deles é falho,
dá falso negativo. Dos que conseguimos confirmar com o teste rápido, todos
conseguiram se recuperar, mas tiveram complicações. Um suspeito foi a óbito
mas não sabemos se foi negativo mesmo ou se o teste falhou”, aponta.

Necessidade de EPIs

Conforme a presidente do Coren-SC (Conselho Regional de Enfermagem em Santa Catarina), Helga Bresciani, para que a sociedade tenha atendimento de
qualidade é preciso proteger os profissionais de saúde e garantir que os
EPIs (equipamentos de proteção individual) sejam disponibilizados.

Helga Bresciani, presidente do Coren SC – Foto: Divulgação/Coren/SC

Ela lembra que são eles que ficam ao lado dos pacientes 24 horas por dia,
sete dias por semana. “Eles têm medo como todo mundo, mas sabem que
precisam continuar cuidando dos doentes. E não se pode fazer um
procedimento, trocar um curativo ou dar um banho mantendo distância de 1,5
metro. A única defesa é a proteção dos equipamentos e máscaras”.

Por meio de ouvidoria, o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) já registrou mais de 5 mil queixas sobre falta ou inadequação de EPIs no Brasil. Em Santa Catarina, o Coren já abriu 600 processos administrativos, desde o começo da pandemia, sobre escassez de materiais de proteção.

Segundo Helga, que trabalhou durante 36 anos como enfermeira – dos quais 25 em UTI – a pandemia trouxe maior visibilidade e conhecimento sobre o
papel desempenhado pela categoria. “Porém, a valorização financeira ainda não aparece, nem aqui no Estado nem no país”.

Sem piso salarial definido, os salários oscilam muito de um lugar para
outro e não há como garantir um ganho mínimo. “Sabemos que 85% da enfermagem é ocupada por mulheres, a maioria é chefe de família e precisa de mais de um emprego para se sustentar”, analisa a presidente do Coren-SC.

Número de enfermeiros no Brasil

De acordo com dados que os conselhos regionais dos Estados enviam ao Cofen, o Brasil possuía, até 1º de abril deste ano, 565,4 mil enfermeiros, 1,3 milhão de técnicos de enfermagem e 419,9 mil auxiliares de enfermagem.

Em todo o país, mais de 13,3 mil profissionais estão afastados do trabalho, conforme informações divulgadas pelo Comitê Gestor de Crise do Cofen, no site Observatório da Enfermagem, nesta segunda-feira (11). Entre eles, 28,5% foram confirmados e o restante segue como suspeito da doença.

Ainda segundo o Cofen, 98 profissionais já morreram em decorrência da Covid-19 no Brasil. O número é maior do que nos Estados Unidos (91) e na Itália (35) e é creditado pelo Comitê do Cofen à escassez de EPIs, falta de treinamento adequado e subdimensionamento de equipes.

Por conta da extrema pressão a que estão submetidos, o conselho criou uma linha solidária com mais de 100 profissionais especializados em saúde mental para atender os trabalhadores. O chat de ajuda emocional funciona 24 horas, diariamente e pode ser acessado pelo site do Cofen.

Panorama estadual

Em Santa Catarina, dados do Cofen apontam a existência de 15,6 mil enfermeiros, 41,6 mil técnicos e 5,6 mil auxiliares. Até esta segunda, o Observatório somava 826 profissionais infectados ou com suspeita de Covid-19 afastados de seus postos de trabalho no Estado.

Dos afastamentos, 88 foram confirmados com a doença, sendo que 86 estão em quarentena, um está internado e outro veio a óbito. Os demais 738 casos são suspeitos, dos quais 15 permanecem internados e 723 em quarentena.

“Temos o desafio de garantir retaguarda, para poder substituir as pessoas no caso dos afastamentos. Por enquanto, temos a vantagem de não estarmos lotados de Covid-19”.

 

Fonte: https://ndmais.com.br/

 

 

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